{"id":344,"date":"2022-08-17T11:31:04","date_gmt":"2022-08-17T14:31:04","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/?p=344"},"modified":"2022-08-17T21:54:23","modified_gmt":"2022-08-18T00:54:23","slug":"a-seguranca-do-tratamento-das-varizes-com-espuma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/?p=344","title":{"rendered":"A SEGURAN\u00c7A DO TRATAMENTO DAS VARIZES COM ESPUMA"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Escleroterapia nas varizes dos membros inferiores surgiu na Europa, h\u00e1 dois s\u00e9culos e, gradativamente, se firmou como um m\u00e9todo t\u00e3o bom ou melhor que a cirurgia. A escleroterapia cl\u00e1ssica deu origem \u00e0 Escleroterapia com Espuma, usada h\u00e1 30 anos. O m\u00e9todo acompanha o advento da espuma esclerosante e do ecodoppler, ambos permitindo, um melhor diagn\u00f3stico e controle da doen\u00e7a com muita seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos modernos, comparando os m\u00e9todos de controle da IVC, mostraram que ainda&nbsp; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel citar qual \u00e9 o melhor deles, sendo operador-dependentes. A utiliza\u00e7\u00e3o de todos \u00e9 recomendada e o <em>blended<\/em> pode ser usado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: IVC , escleroterapia , escleroterapia com espuma, varizes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ABSTRACT<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; The sclerotherapy method was born there are two century ago and now, becomes more powerfull with the foam sclerotherapy. Now we can treat every type of veins with this method. This kind of treatement is safe and have the ecodoppler together to guarantee more eficiency and control.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Modern studies intend show what is the best way to control CDI, but is not possible tell what is the better, the methods are operator dependent. The blended could be a good practice.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Key-words<\/strong>: Sclerotherapy, foam sclerotherapy, varices, CDI<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de o tratamento das varizes de membros inferiores com escleroterapia ser um &nbsp;cl\u00e1ssico na angiologia, ou seja, \u00e9 um tratamento de pelo menos dois s\u00e9culos, algo de novo surgiu neste campo. Trata-se da escleroterapia de varizes com espuma. \u00c9 a velha escleroterapia, agora melhorada pela espuma esclerosante. Os medicamentos variados foram usados nesse tipo de tratamento, como o polidocanol e o tetracylsulfato de s\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A escleroterapia com espuma \u00e9 uma pr\u00e1tica que surgiu com Orbach, na D\u00e9cada de 40, sendo aperfei\u00e7oada por Cabrera, na D\u00e9cada de 90, quando atingiu a sua maioridade e teve seus limites de uso alargados. Em 2000, na It\u00e1lia, Lorenzo Tessari publicou uma s\u00e9rie de casos tratados com espuma feita com sua t\u00e9cnica consagrada e, hoje, usada no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Calcula-se que s\u00e3o feitas de cinco a seis milh\u00f5es de sess\u00f5es de escleroterapia por ano, s\u00f3 na Fran\u00e7a! (Hammel Desnos, C.)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apesar de a escleroterapia ser uma t\u00e9cnica antiga, foi melhorada com o advento da espuma e h\u00e1 uma curva de aprendizado que todos devemos nos submeter, ao resolver utilizar novas armas nessa luta contra uma doen\u00e7a incur\u00e1vel que s\u00e3o as varizes dos MMII. H\u00e1 que ter prud\u00eancia e seguir regras de seguran\u00e7a que, hoje, s\u00e3o facilmente encontradas na literatura, como Consensos de Grenoble e Tergense. As normas de conduta expedidas por \u00f3rg\u00e3os estatais, como o NICE no Reino Unido, as Sociedades de Flebologia, como a Societ\u00e9 Fran\u00e7aise de |Phlebologie e o American Venous Forum tamb\u00e9m fazem as suas recomenda\u00e7\u00f5es, baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas. A pr\u00e1tica deve ser adquirida ao lado de profissionais treinados para aprender os conhecimentos sobre como corrigir a fisiopatologia venosa. O objetivo \u00e9 melhorar a drenagem venosa, ap\u00f3s corre\u00e7\u00f5es devidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, recomendamos o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1 &#8211; Informar-se o m\u00e1ximo sobre a t\u00e9cnica de escleroterapia e as drogas usadas<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2 &#8211; Deve-se esclarecer sobre os todos os poss\u00edveis efeitos colaterais<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3 \u2013 Examinar, antes e depois, os pacientes com ecodoppler venoso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4 &#8211; Devem-se usar medicamentos e pr\u00e1ticas que sejam licenciados.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>Efeito espuma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Efeito Espuma descrito em nosso livro Escleroterapia com Espuma, pela Editora Folium \u2013 Belo Horizonte, consiste em um fen\u00f4meno qu\u00edmico e f\u00edsico que ocorre no seio das veias doentes que s\u00e3o tratadas pela espuma esclerosante e que promovem a cicatriza\u00e7\u00e3o daquelas veias varicosas. A espuma consiste em uma mistura de g\u00e1s e agente esclerosante, que uma vez injetada na luz da veia, entra em contato com a camada interna da veia, que \u00e9 o endot\u00e9lio. O esclerosante \u00e9 capaz de destruir essa camada fina e pavimentar e entrar na segunda camada da veia, a camada m\u00e9dia, estimulando os fibroblastos a constru\u00edrem &nbsp;uma fibrose cicatricial que ocluir\u00e1 a veia doente. Ao destruir o endot\u00e9lio, ocorrer\u00e1 a libera\u00e7\u00e3o da endotelina, uma subst\u00e2ncia vaso-constrictora capaz de gerar v\u00e1rios fen\u00f4menos. Primeiro, notamos que a veia desaparece, pois com a venoconstric\u00e7\u00e3o, a luz venosa \u00e9 reduzida. Esse fen\u00f4meno \u00e9 bonito e bem-vindo, mas n\u00e3o garante o fechamento da veia em quest\u00e3o, pois isso s\u00f3 ocorrer\u00e1, dias ap\u00f3s com toda cicatriza\u00e7\u00e3o. O esclerosante na forma de espuma potencia a sua a\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia, pois as espumas aumentam o contato do esclerosante com a parede da veia. Quanto menor a bolha da espuma, maior \u00e9 o contato com a parede e maior efic\u00e1cia. Por isso, o aprendizado da t\u00e9cnica de fazer espuma \u00e9 muito importante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com o renascimento da escleroterapia, agora sob a forma de Escleroterapia com Espuma, amplas revis\u00f5es foram feitas. O <em>National Institute for Health and Clinical Excellence \u2013 <\/em>NICE \u2013 da Inglaterra publicou um interessante trabalho sobre a seguran\u00e7a e a efici\u00eancia do tratamento das varizes com espuma de polidocanol. Veja Jia et cols .Citamos tamb\u00e9m revis\u00e3o feita por 23 Sociedades cient\u00edficas, tendo a frente Rabe. As normas do Le Club-mousse.com foram colocadas na internet e traduzidas em diversas l\u00ednguas, com ampla revis\u00e3o. Bo Eklof , Perrin, M&nbsp; fizeram ampla revis\u00e3o dos estudos comparativos dos v\u00e1rios m\u00e9todos de controle da IVC e conclu\u00edram que \u00e9 dif\u00edcil dizer qual \u00e9 o melhor, pois eles s\u00e3o operador dependentes, entretanto ressaltam que a Escleroterapia com Espuma \u00e9 mais barata e pode ser repetida facilmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A medicina que praticamos \u00e9 baseada em dois pilares: a experi\u00eancia e a evid\u00eancia cient\u00edfica. A experi\u00eancia foi por muito tempo uma grande conselheira e guia na pr\u00e1tica da medicina e, &nbsp;ainda o \u00e9, junto aos colegas competentes. Neste caso, corremos o risco de falsas interpreta\u00e7\u00f5es, apesar dos pesares. A evid\u00eancia cient\u00edfica, por outro lado,&nbsp; pretende ser racional, mas corre o risco do cientifismo, ou seja, de fazermos a pesquisa pela pesquisa.&nbsp; Pesquisas bem feitas, sem interesse clinico, meras averigua\u00e7\u00f5es sem import\u00e2ncia pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O melhor \u00e9 sempre escutar as conclus\u00f5es daqueles que conhecem as evid\u00eancias baseadas na experi\u00eancia.&nbsp; A escleroterapia tem como objetivo a remo\u00e7\u00e3o das veias doentes, a preven\u00e7\u00e3o e tratamento das complica\u00e7\u00f5es decorrentes da IVC. Visa tamb\u00e9m melhorar a qualidade de vida dos pacientes, atuando na melhora do funcionamento da rede venosa com obten\u00e7\u00e3o de melhor resultado funcional e est\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tratamento \u00e9 recomendado a todos os tipos de veias. Na literatura encontramos in\u00fameros artigos que servem de fundamento na escolha das condutas adotadas. Veja a seguir, a indica\u00e7\u00e3o deles pelos n\u00fameros postados ao lado do tipo de veia. Ent\u00e3o, teremos um tipo de veia, depois a grada\u00e7\u00e3o (se melhor ou pior) e os artigos que fundamentam a grada\u00e7\u00e3o. Variando o tipo de doen\u00e7a e o padr\u00e3o das veias, variamos a grada\u00e7\u00e3o de recomenda\u00e7\u00e3o de tratamento:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para as safenas incompetentes:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; GRADE&nbsp;&nbsp; 1 A&nbsp;&nbsp;&nbsp; Refer:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4, 6, 11<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para as veias tribut\u00e1rias varicosas:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; GRADE&nbsp; 1B&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Refer:&nbsp;&nbsp;&nbsp; 12, 13<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para as perfurantes incompetentes:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; GRADE&nbsp; 1 B&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;12, 14, 16<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para as teleangiectasias &amp; reticulares&nbsp;&nbsp; GRADE 1 A&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 7, 13, 17, 21<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para as veias de origem p\u00e9lvicas:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; GRADE 1B&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 22, 28, 29<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nas malforma\u00e7\u00f5es venosas:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; GRADE 1 B&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;34, 36&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa tabela mostra o tipo de veia, na primeira coluna, o grau de recomenda\u00e7\u00e3o no meio e os artigos que justificam as recomenda\u00e7\u00f5es, na \u00faltima coluna. Ainda n\u00e3o existem recomenda\u00e7\u00f5es para alguns tipos de escleroterapia, como nas varizes esof\u00e1gicas, nas hemorroidas, nas varicoceles, nos higromas, cistos linf\u00e1ticos e popl\u00edteos.<\/p>\n\n\n\n<p>A escleroterapia com esclerosantes l\u00edquidos \u00e9 considerada o m\u00e9todo ideal para o tratamento de varizes CEAP 1&nbsp;&nbsp; ( 17, 19, 21, 37, 38).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A escleroterapia com espuma pode tamb\u00e9m ser usada&nbsp; (7, 20, 39)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Experi\u00eancia brasileira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Formado em medicina h\u00e1 43 anos, nossa experi\u00eancia no Brasil, comemora doze anos de atividades escleroterap\u00eauticas com espuma, sendo que atingimos quase 10.000 sess\u00f5es, dando-nos a certeza de trabalhar com um m\u00e9todo seguro e eficaz que tem um baixo \u00edndice de complica\u00e7\u00f5es, descomplicando o controle da IVC com baixa morbidade. Esse trabalho pioneiro nos obrigou a nos debru\u00e7ar sobre o estudo e pesquisa do m\u00e9todo. Depois, surgiram atividades docentes em congressos m\u00e9dicos, como cursos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, culminando com um DVD e depois um livro e um IBook pela editora Folium Ltda de Belo Horizonte. Essa pr\u00e1tica nos permite concordar com o professor Michel Perrin que diz que os ensaios controlados e randomizados demonstram que a escleroterapia com espuma \u00e9 um m\u00e9todo ambulat\u00f3rio que permite ao paciente retomar suas atividades precocemente, sem afastamento do trabalho. Os estudos mostram que os efeitos colaterais s\u00e3o raros e benignos, desde que a t\u00e9cnica seja feita por profissional qualificado e experiente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; COMPLICA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos indesej\u00e1veis s\u00e3o os mesmos encontrados na escleroterapia cl\u00e1ssica. Felizmente, tais efeitos s\u00e3o poucos e sem repercuss\u00e3o. Os indesej\u00e1veis podem ser divididos em efeitos locais, loco-regionais e gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entre os efeitos indesej\u00e1veis com repercuss\u00e3o local s\u00e3o: hematomas de pun\u00e7\u00e3o venosa, dor no trajeto da veia, pigmenta\u00e7\u00e3o residual, e \u201cmatting\u201d, sendo que desses, a pigmenta\u00e7\u00e3o residual, a hipercromia, \u00e9 a complica\u00e7\u00e3o mais freq\u00fcente e importante, uma vez que o tratamento de varizes sempre tem import\u00e2ncia est\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nos efeitos locais e regionais que s\u00e3o nocivos, encontramos trombose venosa superficial, a trombose venosa profunda (TVP) e a inje\u00e7\u00e3o intra-arterial. A TVP ocorre em at\u00e9 2,5 % dos casos, variando segundo o autor e sempre nos pacientes trombof\u00edlicos.<\/p>\n\n\n\n<p>A trombofilia encontrada em 10 a 15% da popula\u00e7\u00e3o pode gerar epis\u00f3dios de tromboembolia tamb\u00e9m, quando esse tipo de paciente se submete a cirurgia ou escleroterapia. Guex JJ encontrou 0,05% em ampla revis\u00e3o. Parece que a incid\u00eancia de tromboses ocorre mais em tratamento cir\u00fargico que escleroter\u00e1pico. Podemos fazer o tratamento sob o uso de anticoagulante&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos de repercuss\u00e3o geral indesej\u00e1veis podem ser: enxaqueca, tosse seca, alergia, AVC. Felizmente, trata-se de fen\u00f4menos passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vejamos alguns desses efeitos indesej\u00e1veis que podem ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A hipercromia \u00e9 um fen\u00f4meno que se agrava na presen\u00e7a de pele mais escura, ou seja, se o paciente \u00e9 do Fototipo III a VI tem uma capacidade maior de fixar essas manchas na presen\u00e7a do sol. O esclerus, um ac\u00famulo de sangue alterado e l\u00edquido, pode agravar e colaborar para manchar a pele. Pode ser que o melhor seja fazer a escleroterapia com outro esclerosante, como a glicerina cromada. Tais manchas podem ocorrer em at\u00e9 20% das veias tratadas e t\u00eam o agravante de serem inest\u00e9ticas. Devemos evit\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dist\u00farbios neurol\u00f3gicos do tipo enxaqueca, escotomas visuais e at\u00e9 AVC simulado, parecem se dever \u00e0 libera\u00e7\u00e3o da endotelina que das veias dos mmii podem atingir a rede cerebral via forame oval e ocorrem em menos de 0,5%. Devemos garantir um repouso de vinte minutos, ap\u00f3s nossa sess\u00e3o de escleroterapia, seja l\u00edquida ou com espuma. Isto dar\u00e1 um tempo para que as endotelinas se distribuam sem problemas. Explicar o car\u00e1ter transit\u00f3rio desse fen\u00f4meno dar\u00e1 ao nosso paciente a tranq\u00fcilidade que ele necessita.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As \u00falceras p\u00f3s escleroterapia, rar\u00edssimas, parecem se dever \u00e0 presen\u00e7a de comunica\u00e7\u00f5es AV, ou inje\u00e7\u00f5es intra-arteriais inadvertidas, ou ainda, a inje\u00e7\u00f5es com press\u00e3o exagerada feitas por colega inexperiente.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas ao polidocanol (3:1000) s\u00e3o raras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias de hoje, o controle e tratamento da IVC \u00e9 muito variado. Os m\u00e9todos endovenosos t\u00e9rmicos ou qu\u00edmicos e o ecodoppler mudaram a maneira de cuidar dos nossos pacientes. A escleroterapia com espuma se desenvolveu com outros autores se tornando um m\u00e9todo maior no controle da doen\u00e7a. As numerosas vantagens, incluindo simplicidade, aus\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es maiores, aus\u00eancia de repouso, permitindo a retomada do trabalho imediata a um custo menor, mostram a supremacia da t\u00e9cnica. Vale ressaltar que, mesmo nas recidivas, novas sess\u00f5es escleroter\u00e1picas podem ser feitas, sem problemas. A escleroterapia com espuma ter\u00e1 um brilhante futuro na maior parte dos pa\u00edses do mundo e ser\u00e1 o m\u00e9todo de escolha para o controle da IVC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1 &#8211; Bastos FR, Lima A, Assump\u00e7\u00e3o AC. Escleroterapia de varizes com espuma. Revis\u00e3o. &nbsp;Rev Med&nbsp; MG \u2013 2009; 19(1): p\u00e1g 38-43.<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; Gobin JP,&nbsp; Benigni JP. Traitement de premi\u00e8re intension. In : Gobin JP, Benigni JP, eds. La Scl\u00e9roth\u00e9rapie. Paris: Editions Eska, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211; Tessari L. Nouvelle technique d\u2019obtention de la scl\u00e9ro-mousse. Phl\u00e9bologie 2000&nbsp;; 53&nbsp;:129<\/p>\n\n\n\n<p>4 &#8211; Gillet JL et als. Physiopathologie des troubles visuels. Phl\u00e9bologie. 2010, 63, 4, 48-55.<\/p>\n\n\n\n<p>5 \u2013 Henriet JP. Foam sclerotherapy: state of the art. Editions Phl\u00e9bologiques Fran\u00e7aises 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; 6 &#8211; &nbsp;Bo Eklof , Perrin, M&nbsp; Reviews in Vascular Medicine vol 2, 1ss1, 1-42 March 2004<\/p>\n\n\n\n<p>7 \u2013 Bastos F. Estudo retrospectivo sobre 3000 sess\u00f5es de escleroterapia com espuma. Monografia para a Academia de Medicina de MG. 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>8 &#8211; Frullini A, Cavezzi A. Sclerosing foam in the treatment of varicose veins and telangiectases: history anal safety complications. Dermatol Surg. 2002;28:11\u20135. (23 referencia)<\/p>\n\n\n\n<p>9&nbsp;&nbsp; &#8211; Schleir F, Vin F. Sclerotherapie, \u00ab&nbsp;Sclerus versus thrombus&nbsp;\u00bb Act Vasc Int 1995, 35:18-20.<\/p>\n\n\n\n<p>10 &#8211;&nbsp; Cabrera GJR, Cabrera GOJR, Garcia-Olmedo DMA.&nbsp; Elargissement des limites de la schl\u00e9roth\u00e9rapie: noveaux produits scl\u00e9rosants. Phl\u00e9bologie 1997; 50(2):181-8<\/p>\n\n\n\n<p>11 &#8211; Breu FX, Guggenbichler S, Wolmmann JC. 2nd European Consensus Meeting on Foam Sclerotherapy. VASA, vol 37 \u2013 S71 \u2013 February 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>12 &#8211; Cavezzi A, Labropoulos N et al. 2006 Duplex ultrasound investigation of the veins in chronic venous disease of the lower limbs &#8211; UIP consensus document. Part II. Anatomy Eur J Vasc Endovasc Surg 2006; 31: 288-299.<\/p>\n\n\n\n<p>13 \u2013 Pittaluga P, Chastanet S. Lesser importance of the saphenous vein in varices in Foam Sclerotherapy&nbsp;: a textbook&nbsp; Bergan, J. Van Le Cheng. Royal Society of medicine Press Ltd. 2008. 163-178.<\/p>\n\n\n\n<p>14 &#8211; Myake H. 1972. Necroses cut\u00e2neas por esclerosantes. Tese.&nbsp; S\u00e3o Paulo \u2013 USP.58.<\/p>\n\n\n\n<p>15 &#8211; Myake H, Kauffman P, Behmer AO. Mecanismo das necroses cut\u00e2neas provocadas.. Rev Ass Med Brasil. 1976. 22.<\/p>\n\n\n\n<p>16 &#8211; Gachet G. Une nouvelle strat\u00e9gie pour traiter les varices \u00e0 la mousse de scl\u00e9rosant : le \u00ab save our veins concept\u00bb ou SOV concept. Phl\u00e9bologie. 2007; 60:35-43.<\/p>\n\n\n\n<p>17 &#8211; Jia X, Mowatt G, Burr JM et al C. Systematic review of foam sclerotherapy for varicose veins. Br J Surg. 2007;94:925-36.<\/p>\n\n\n\n<p>18. Bastos FR. Escleroterapia com espuma, estudo retrospectivo. Flebologia y Linfologia. 6 n 16, 2011. 963-970<\/p>\n\n\n\n<p>19 &#8211; Bastos, F. Sclerotherapie \u00e9choguid\u00e9e des varices et exclusion social Phebologie 2009, 62, 2. p. 32-35.<\/p>\n\n\n\n<p>20 &#8211; Bastos, FR&nbsp; Escleroterapia com espuma.&nbsp; Editora Folium, Belo Horizonte. 2012<\/p>\n\n\n\n<p>21 &#8211; Guex JJ, Allaert FA, Gillet JL, Chleir F. Immediate and midterm complications of sclerotherapy: report of a prospective multicenter registry of 12,173 sclerotherapy sessions. Dermatol Surg 2005;31:123-8.<\/p>\n\n\n\n<p>22 &#8211; Parsi K, Exner T, Connor DE, Herbert A, Ma DD, Joseph JE The lytic effects of detergent sclerosants on erythrocytes, platelets, endothelial cells and microparticles are attenuated by albumin and other plasma components in vitro. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2008 Aug;36(2):216- 23<\/p>\n\n\n\n<p>23 &#8211; Rabe et als &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;in Phlebology 1-13 , 2013<\/p>\n\n\n\n<p>24 &#8211; Rabe E, Otto J, Schliephake D, Pannier F. Efficacy and safety of&nbsp; greater saphenous vein sclerotherapy using standardised polidocanol foam (ESAF) : a randomised controlled multicenter clinical trial. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2008;35:238-45.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESUMO A Escleroterapia nas varizes dos membros inferiores surgiu na Europa, h\u00e1 dois s\u00e9culos e, gradativamente, se firmou como um m\u00e9todo t\u00e3o bom ou melhor que a cirurgia. A escleroterapia cl\u00e1ssica deu origem \u00e0 Escleroterapia com Espuma, usada h\u00e1 30 anos. O m\u00e9todo acompanha o advento da espuma esclerosante e do ecodoppler, ambos permitindo, um melhor diagn\u00f3stico e controle da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":383,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-344","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=344"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":611,"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/344\/revisions\/611"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/383"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscoreisbastos.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}